Criatividade e imaginação – Os campos de experiência na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

por Claudia Zuppini Dalcorso

25/03/2024

Continuando nossa série de textos sobre os campos de experiência na Educação Infantil, preconizados pela BNCC, dois deles estão diretamente ligados à criatividade e imaginação, elementos que fazem parte do desenvolvimento infantil e que são imprescindíveis quando pensamos em educação integral na infância.

 

Traços, Sons, Cores e Formas: este campo está relacionado às linguagens artísticas e culturais. Ele engloba a exploração da música, das artes visuais, da literatura e do teatro. Estimula a criatividade, a apreciação estética e a expressão artística das crianças.

 

Veja um exemplo prático de como trabalhar com as crianças em sala de aula:

 

Atividade: exploração Criativa de Pintura com Rolos de Papel

Objetivo: estimular a criatividade das crianças, desenvolver habilidades de expressão artística, explorar traços, núcleos e formas, e promover a apreciação estética.

 

Material necessário:

  • rolos de papel higiênico ou de papel-toalha vazios;
  • tintas de diferentes núcleos;
  • papel em branco;
  • pincéis ou almofadas de pintura.

 

Passos da atividade:

  1. Preparação: o/a educador/a reúne todos os materiais necessários, coloca aventais nas crianças para proteger suas roupas e prepara uma área de trabalho onde elas possam se expressar livremente.
  2. Introdução: o/a educador/a introduz uma atividade explicando que as crianças terão a oportunidade de explorar a pintura de uma maneira diferente e divertida, usando rolos de papel.
  3. Demonstração: demonstrar como mergulhar o rolo de papel na tinta e fazer diferentes tipos de traços no papel. Ele/a pode enfatizar que não há regras rígidas; a criatividade é o foco.
  4. Exploração: as crianças são encorajadas a mergulhar os rolos de papel na tinta e, em seguida, fazer traços no papel em branco. Elas podem experimentar diferentes cores, sobreposições de traços e habilidades.
  5. Variedade de ferramentas: oferecer pincéis e padrões de pintura para que as crianças explorem diferentes formas de aplicar a tinta, estimulando a experimentação e a descoberta.
  6. Observação e conversa: observar o que as crianças estão criando e fazer perguntas abertas para estimular sua reflexão. Perguntas como “O que você está pintando?” ou “O que acontece quando misturamos essas cores?” podem ser úteis.
  7. Apresentação e discussão: após uma atividade de pintura, o/a educador/a pode convidar as crianças a compartilharem suas criações com o grupo e discutirem o que mais gostaram na experiência.
  8. Exposição e compartilhamento: ao final, as pinturas podem ser expostas em um mural na sala de aula, permitindo que as crianças apreciem seu próprio trabalho e o trabalho dos colegas. Depois, podem até colocar do lado de fora da sala convidando também pais e as crianças de outras turmas a apreciarem o trabalho realizado.

 

Essa atividade promove a exploração criativa de traços, núcleos e formas, estimulando a imaginação e a expressão artística das crianças. Além disso, ajuda a desenvolver a avaliação estética, à medida que as crianças observam e discutem suas próprias criações e as de seus colegas.

 

Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação: O desenvolvimento da linguagem é o foco deste campo. Envolver a comunicação oral e escrita, o estímulo à curiosidade, à narrativa, ao pensamento crítico e à imaginação das crianças. Além disso, incentive a compreensão do mundo ao redor e a capacidade de se expressar de forma clara.

 

 

A seguir, compartilhamos um exemplo prático:

 

Atividade: Contação de Histórias Colaborativas

Objetivo: promover a linguagem oral, o pensamento criativo, a imaginação e a colaboração entre as crianças.

 

Material necessário:

  • livros infantis ou imagens representativas de personagens e cenários e
  • um espaço limpo para a atividade.

 

Passos da atividade:

  1. Preparação: o/a educador/a reúne um conjunto de livros infantis ou imagens de personagens e cenários que podem ser usados como ponto de partida para a história.
  2. Introdução: o/a educador/a começa a história com uma breve introdução, usando uma imagem ou livro como inspiração. Ele pode contar uma parte inicial da história e deixar um “gancho” para que as crianças continuem.
  3. Roda de história: as crianças são convidadas a se sentarem em um círculo. O/A educador/a passa a vez para uma criança, que continua a história com base no gancho deixado por ele/a.
  4. Continuidade da história: à medida que cada criança contribui com sua parte da história, como outras ouvem atentamente e usam sua imaginação para construir a continuação. Isso pode incluir a introdução de personagens, eventos, desafios e resoluções.
  5. Colaboração: a atividade incentiva as crianças a colaborarem e a se comunicarem para criar uma narrativa coesa. Elas devem ouvir umas às outras e ajustar suas contribuições de acordo com o que foi dito anteriormente.
  6. Desfecho: a história continua até que todas as crianças tenham a oportunidade de contribuir ou até que a história tenha um desenvolvimento natural. O/A educador/a pode ajudar a concluir a narrativa de forma satisfatória.
  7. Reflexão: Após a atividade, o/a educador/a pode conduzir uma breve discussão sobre a história criada, incentivando as crianças a refletirem sobre as partes que mais gostaram, os personagens que realizaram e as reviravoltas na narrativa.

 

Essa atividade promove a linguagem oral, o pensamento criativo e a imaginação das crianças, além de desenvolver suas habilidades de escuta atenta e de colaboração. Ela também cria um ambiente divertido e envolvente que estimula a expressão individual e coletiva.

 

Esses são apenas alguns exemplos que podem ajudar a inspirar outras ideias para explorar a criatividade, imaginação, a fala, os traços, o uso das cores, formas, enfim, todos os elementos que fazem parte desses campos de experiências que destacamos aqui, e que podem colaborar com o desenvolvimento das crianças em sua plenitude.

 

 

Referências:

OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos. Educação Infantil: fundamentos e métodos. Editora: Cortez, 2018.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular – Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2017.

 

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