O brincar na Educação Infantil alinhado à Base Nacional Comum Curricular

por Edneia Burger

27/07/2018

É um consenso a importância do brincar na Educação Infantil. Mas, escola é lugar de brincadeira?

A resposta é sim. Na Educação Infantil, o desenvolvimento se dá por meio das brincadeiras e do relacionamento das crianças com outras crianças, com os adultos e consigo mesma. Esse desenvolvimento também ocorre no ambiente familiar e a função da escola é diversificar e ampliar as aprendizagens das crianças, direcionando de maneira intencional as atividades, brincadeiras, experiências e a todas as práticas que são propostas na escola.

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC),

 

 

 

 

 

 

 

A BNCC apresenta seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento para as crianças integrantes da Educação Infantil. São eles: conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se.

Nosso foco nesse texto será o brincar que, de certa forma, engloba todos os demais direitos elencados na base e que na escola deve ter intencionalidade educativa. Veja o que diz a BNCC sobre esse direito de aprendizagem e desenvolvimento:

 

 

 

 

 

 

 

Brincando, a criança pode se expressar, conhecer a si e ao outro, resolver conflitos e explorar o ambiente no qual está inserida. Vergnhanini (2011, p.29) afirma que quando a criança brinca, ela amplia seu vocabulário, dá nome aos objetos, faz uso de expressões do dia a dia, conversa com outras crianças e com os brinquedos, estabelecendo relações entre as brincadeiras simbólicas (jogos de faz de conta) e outras formas de linguagem, inclusive, resolvendo situações conflituosas e desafios que surgem nestes momentos, como dividir brinquedos, estabelecer papéis em uma brincadeira,  construir um novo brinquedo, entre outros.

Nesse sentido, nós professores, temos a oportunidade de criar ações intencionais para que a criança vivencie uma diversidade de experiências, de maneira que possa se desenvolver. Diante disso, essas experiências podem oportunizar a ela fazer observações e indagações, como é preconizado na BNCC (BRASIL, 2017, p.41). Assim, o professor precisa planejar com base nos objetivos que espera que os alunos desenvolvam, atentando-se a:

  • a escolha de materiais diversos;
  • a organização da sala ou de outros espaços e
  • a organização das crianças.

Horn (2011, p.100, apud Marcano, 1989) afirma que a diversidade de materiais oferecidos para as crianças possibilita uma gama maior de possibilidades de criação e, consequentemente, de ampliação de saberes.

E como acompanhar o desenvolvimento das crianças durante as brincadeiras?

Para pensar nas estratégias de acompanhamento, é importante, em primeiro lugar, diferenciar brincadeiras e jogos propostos pelo professor das brincadeiras “livres”.

Na primeira, o professor organiza momentos dirigidos do brincar em sua rotina com objetivos claros para, por exemplo, desenvolver habilidades especificas como coordenação motora, orientação espacial, ritmo, equilíbrio, organização temporal e desenvolver a linguagem como forma de comunicação. Na segunda modalidade, o professor planeja esse momento na rotina e pode ou não disponibilizar alguns materiais. O objetivo, nesse momento, é que os alunos desenvolvam a autonomia por meio das escolhas do que quer e tenham a percepção de suas habilidades e limitações para uma ou outra ação, para interagir e propor brincadeiras, podendo desenvolver a oralidade, argumentação, a criatividade, entre outros. Todavia é importante se atentar:

 

 

 

 

 

 

 

Ambas as estratégias podem acontecer em diferentes espaços da escola, mas alguns deles como o parque e a brinquedoteca, por exemplo, podem favorecer esta interação mais autônoma, criando inúmeras possibilidades de aprendizado.

Nos dois casos, o professor precisa ser um observador que irá registrar as interações dos alunos durante estes momentos, analisando os aspectos que estão sendo desenvolvidos naquele período, com base no planejamento da aula.

Gostaríamos de ressaltar que é essencial que as brincadeiras “livres” aconteçam com a supervisão do professor, primeiramente, pela segurança das crianças e, também, pois esse momento é uma oportunidade de aprendizado nesta faixa etária e gera elementos para que o professor entenda que competências os alunos precisam desenvolver mais.

Tanto uma como outra estratégia são ocasiões privilegiadas em que o professor precisa estar atento aos fazeres, às falas e silêncios de cada criança. A partir da observação, o professor percebe os saberes, novas aprendizagens e dificuldades, cabendo a ele utilizar desses dados (que deverão estar registrados) para elaborar seu planejamento com foco no desenvolvimento de cada criança.

 

 

 

 

 

 

 

O desenvolvimento de cada uma das crianças, as conversas estabelecidas e as preferências são reveladas a partir daquilo que é oferecido durante as brincadeiras. A intervenção do professor nesses momentos pode ser realizada se tiver como objetivo favorecer o desenvolvimento das crianças. Por esse motivo, a observação e escuta atenta às crianças vai dar indícios de qual deve ser a postura do professor.

O brincar na Educação Infantil, portanto, oportuniza muitas possibilidades para que a criança experimente, interaja, explore, crie, se expresse, entre outras possibilidades, cabendo ao professor oferecer os recursos e espaços planejados intencionalmente para a promoção do desenvolvimento de cada uma delas.

Se o brincar já faz parte de seu planejamento, aproveite as reflexões realizadas neste texto para potencializar ainda mais o desenvolvimento de seus alunos.

Para conhecer a BNCC na íntegra, acesse: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/download-da-bncc

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – BNCC Versão Final. Brasília, DF, 2017.

HORN, M. G. S., Sabores, cores, sons, aromas: a organização dos espaços na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

VERGNHANINI, N. S., QUERO BRINCAR: a brincadeira de faz-de-conta e o desenvolvimento infantil. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Faculdade de Educação, Universidade de Campinas, São Paulo.

KISHIMOTO, T. M. Brinquedos e brincadeiras na educação infantil. Anais do I Seminário Nacional: Currículo Em Movimento – Perspectivas Atuais Belo Horizonte, novembro de 2010.

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Comentários sobre o texto

  1. Marta Norberto de Sousa Aquino de Medeiros disse:

    Muito pertinente todas as informações contempladas no texto. Concordo, com a autora Edneia Burger e percebo comprometimento, por parte dos que participaram mais ativamente da construção do documento. Mas, gostaria de saber como MEC irá proceder, monitorar, orientar e pesquisar a execução e efetivação ou não do referido documento, nas salas de atividades, do Brasil? Pois, a diversidade de concepção continua, descrença no próprio fazer, falta de reconhecimento do fazer de quem conduz sua postura com base na”praxis”, bem como gestores e supervisores com grandes lacunas conceituais e desconhecem totalmente os documentos voltados para Educação Infantil. A formação continuada, como será realizada? Pois, muitas vezes os formadores não conseguem realizar de intervenção, mediação e sugerir novas metodologias, por nao terem fundamentação e serem agregados a um grupo politico q os beneficia apontando-os, para enes cargos, inclusive, para formadores quando nem se quer tem perfil e experiência para estar dando devolutivas . Estou muito ansiosa quanto as inquietações registradas e poder de encaminhamento de quem vai conduzir, tudo isso.

  2. Marlene Vieira disse:

    A Educação Infantil é uma fase fundamental para o desenvolvimento emocional e
    cognitivo da criança. O grande desafio dos professores de Educação Infantil é
    proporcionar aulas interessantes e atraentes. Motivo pelo qual, procurou-se neste
    trabalho, mostrar a importância da inclusão de jogos e brincadeiras como
    estratégias pedagógicas para o professor. Pois, conforme nossos estudos, o jogo
    e a brincadeira favorecem a lateralidade, psicomotricidade, coordenação motora,
    auto-estima, ou seja, envolve todo o domínio do esquema corporal. Enfim, são
    grandes fontes para o desenvolvimento psicomotor do aluno que
    consequentemente beneficiarão o processo de ensino-aprendizagem. Sendo
    assim, aplicando jogos e brincadeiras, cria-se, portanto, um espaço de interação
    no qual a criança experimenta o mundo e internaliza a compreensão de diversos
    sentimentos e conhecimentos.

  3. Vitória Régia Costa de Sousa Santos disse:

    Amo seu material, sempre recheado de bons motivos para trabalharmos com as crianças…

  4. Joselia A. S. Campos disse:

    O desenvolvimento de cada uma das crianças, as conversas estabelecidas e as preferências são reveladas a partir daquilo que é oferecido durante as brincadeiras. Concordo plenamente com a citação da autora, temos que pensar em estratégias e inovações para trazer dinâmicas diferenciadas para a sala de aula. O brincar na educação infantil nos faz entrar em um mundo do faz de conta das crianças, proporcionando momentos de vivências inesquecíveis para ambas as partes.

  5. Joselia A. S. Campos disse:

    Muito gratificante e proveitosa essa leitura, uma complementação para acrescentar mais saberes em nossa vida escolar.

  6. Edneia Regina Burger disse:

    Oi, Joselia.
    Obrigada pelo seu retorno! Fico feliz que essa publicação pode complementar os seus saberes.
    Fique de olho em nossas redes sociais. Sempre tem novidade.
    No facebook, você fica sabendo, em primeira mão, dos lançamentos em nossas redes. (https://www.facebook.com/eloseducacional/)
    No site, você pode acessar conteúdos elaborados por especialistas em educação. Tem uma página específica dedicada à BNCC. (https://www.eloseducacional.com/bncc/)
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    Não deixe de acessar e segui-las!
    Um grande abraço!

  7. MAILDE ADELIA CASAGRANDE disse:

    Muito bom texto.

  8. Maria da Guia disse:

    Muito bom o texto o brincar envolve os seis eixo norteadores da Bncc, ao brincar a criança explora, conhece-se, participa, expressa-se e convive e constrói sua identidade.

  9. Maria disse:

    Muito bom o artigo, obrigada por compartilhar.

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