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Aprender e ensinar na era da cibercultura

por Por Letícia Fagundes de Oliveira

08/10/2021

Aprender e ensinar na era da cibercultura

Você se preocupa em orientar seus alunos em como usar a internet de forma segura? Utiliza estratégias para ensinar a separar o joio do trigo ou a informação confiável da desinformação? Na hora da pesquisa, os alunos são capazes de identificar fontes confiáveis na internet? Essas são questões que envolvem a educação midiática uma área de natureza transdisciplinar que, cada vez mais, ganha relevância para educação dentro e fora da escola. Mas o que é e para que ela serve?

A educação midiática ou para mídia envolve o conjunto de habilidades para acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica e reflexiva do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos – dos impressos aos digitais.

O objetivo principal da educação para mídia é ajudar professores, alunos e cidadãos em geral a se relacionar, de forma consciente e crítica, com a informação empoderando o cidadão diante da onipresença da informação, da mídia e da internet na vida contemporânea. Nesse sentido, educar para informação envolve ler, escrever e participar desenvolvendo estratégias para que crianças e jovens possam desenvolver algumas das mais importantes habilidades das chamadas 4Cs: comunicação, colaboração, criatividade e pensamento crítico.

Diante desse cenário, se tornou premente desenvolver novas competências e habilidades para ascender do papel de consumidores passivos para o de usuários conscientes para que se possa usufruir de todas as potencialidades que a tecnologia da informação tem a oferecer.

A BNCC (Base Comum Curricular) destaca a importância da cultura digital como uma das competências gerais da educação:

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais da informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (Incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. Fonte: Brasil. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2018, p. 9

A internet, em função de sua natureza multicultural e democrática, opera com imensa quantidade de informações sendo, portanto, imprescindível saber fazer a leitura crítica desse vasto material. Essa preocupação de aprender a discernir está bastante presente na BNCC (Base Comum Curricular) como no trecho:

Em que pese o potencial participativo e colaborativo das TDIC (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação), a abundância de informações e produções requer, ainda, que os estudantes desenvolvam habilidades e critérios de curadoria e de apreciação ética e estética, considerando, por exemplo, a profusão de notícias falsas (fake News), de pós-verdades e de discursos de ódio nas mais variadas instâncias da internet e demais mídias. Fonte: Brasil. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2018, p. 479

É fácil de constatar o protagonismo do uso da tecnologia na vida dos educandos e dos educadores através do uso recorrente aos vídeos, redes sociais, pesquisa e compartilhamento de informações. Entre os nativos digitais os especialistas apontam que já não existe mais distinção entre o mundo on-line e o off-line, já que eles estão o tempo todo conectados (e nós também).

 

 

No entanto, há uma lacuna no ambiente escolar e na formação do professor, no que se refere ao uso crítico e consciente da tecnologia, dentro e fora da sala de aula. Pesquisas recentes comprovam a necessidade de discutir e preparar os educadores para se tornarem curadores do conhecimento, assumindo novas funções sociais. Diante desses novos desafios, o educador tem um papel indispensável no sentido de desenvolver nos educandos um posicionamento crítico e responsável diante da tecnologia.

Um dos grandes desafios impostos pela sociedade do conhecimento é encontrar meios de filtrar o constante e ininterrupto fluxo de informações com o qual convivemos diariamente. No caso da educação, dentre as diversas competências indispensáveis na sociedade do conhecimento encontra-se: a capacidade de aprender de forma independente, de desenvolver o pensamento crítico e a habilidade de gestão do conhecimento. Essa última, para muitos especialistas, a mais importante habilidade.

Bruzzone (2021) aponta que para vivermos nesse mundo plural que é de cada um, mas não é de ninguém de forma exclusiva, precisamos interpretar. Interpretar o mundo é a forma humana de habitá-lo. Já Bates (2017) defende que em uma sociedade baseada na gestão do conhecimento é importante aprender como: encontrar, avaliar, analisar, aplicar e divulgar informações em determinado contexto.

Pesquisas recentes, (TIC Educação, 2019) atestam que os estudantes têm conhecimento suficiente sobre como acessar conteúdos através das tecnologias. No entanto, ainda são imaturos e inexperientes para identificar estratégias de persuasão da publicidade ou de manipulação da informação, principalmente nas novas mídias.

É papel do professor auxiliar o aluno no processo de formação de uma consciência crítica e responsável diante de toda a informação disponível. É preciso tomar cuidado com a noção de “nativos digitais”. O fato de os alunos saberem usar bem a tecnologia, não significa que sejam capazes de usá-la de forma crítica, segura e responsável, uma vez que é preciso maturidade para tanto. Nesse sentido, se torna indispensável o diálogo intergeracional entre educadores e educandos. Vale lembrar que essa tarefa não é exclusiva da escola, cabendo também aos pais e a sociedade.

Agora que você já sabe o que é e para que serve a educação para mídia, falta discutirmos como usar essa metodologia na sala de aula. Há uma série de possibilidades e, para tanto, podemos e devemos recorrer aos especialistas que já enfrentaram algumas dessas questões apresentando caminhos e soluções para o professor. Uma fonte confiável de pesquisa é o canal Educamidia (https://educamidia.org.br/) entidade sem fins lucrativos do Instituto Palavra Aberta cujo propósito é fornecer conteúdos de formação e recursos para sala de aula contribuindo no processo de educação midiática de jovens e adultos.

Que tal você conhecer mais essa metodologia e compartilhar suas descobertas com os professores? Fica aqui o convite para você se desafiar sempre no caminho incessante do aprender e ensinar buscando essa e outras fontes de pesquisa e de conhecimento. Assim, professores e alunos, poderão colaborar na construção de um mundo mais plural, democrático e participativo e desfrutar, com mais consciência e senso crítico, das inúmeras possibilidades da sociedade do conhecimento.

 

Referências Bibliográficas

  1. BATES, Tony. Educar na era digital: design, ensino e aprendizagem. São Paulo: ABED e Artesanato Educacional, 2017.
  2. BRUZZONE, Andrés. Ciberpopulismo: democracia e política no mundo digital. São Paulo: Contexto, 2021.
  3. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

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Comentários sobre o texto

  1. Daniel Oliveira disse:

    Excelente colocar muito pertinente a atual

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