Por que mudar? Para quê mudar? Problemas que interferem na aprendizagem dos/as estudantes

por Edneia Burger

17/10/2022

Por que mudar?  Para quê mudar?

Problemas que interferem na aprendizagem dos/as estudantes

 

Alguns de nós já ouvimos falar: precisamos mudar, precisamos fazer diferente. Diante dessas afirmações, podemos ficar pensativos e perguntar: “Mas, por que?”

Geralmente, quando alguém diz “precisamos mudar” ou “precisamos fazer diferente”, provavelmente é porque algo não está acontecendo como era esperado.

Afinal, não é possível que tenhamos resultados diferentes, diante de uma situação, se não fizermos algo diferente.

Por exemplo:

Os/as estudantes não estão atentos/as às aulas de geografia (muita indisciplina, não realizam as atividades etc.) e as avaliações têm baixos resultados – mais de 70% dos/as estudantes têm notas inferiores a 5,0.

Nesse caso, se não houver uma mudança na forma da abordagem dos conteúdos, nas estratégias de sala de aula e/ou na postura do/a docente, dificilmente teremos alguma mudança no engajamento dos/as estudantes e consequentemente nos resultados das avaliações.

Estamos diante de um problema: esse é um problema de prática, ou seja, é “algo que o preocupa e que faria uma diferença para a aprendizagem dos alunos se você o melhorasse.” (p.125, 2014).

 

Segundo Mintrop, R., Órdenes, M., & Madero, C. (2018), um problema de prática refere-se a comportamentos ou atitudes específicos, que são desafiadores para os/as professores/as e que impactam na aprendizagem dos/as estudantes. Segundo eles, um problema de prática pode ser descrito através de observações, requer uma solução urgente e está sob a influência da equipe gestora, ou seja, ela pode elencar ações para solucionar o referido problema.

 

Diante desse problema de prática identificado, após várias observações de aula, com dados que indicam, concretamente, que algo está acontecendo, podemos passar para o passo seguinte, o que faria com que essa situação mudasse?

Primeiro, é importante identificar quais são as causas desse problema. Conversar com os/as docentes, com a equipe gestora, com os/as estudantes e demais profissionais da escola pode ser o início. As observações de aulas também podem trazer dados que poderão identificar as causas do problema. Perguntar por que isso está acontecendo, também pode levar a identificação das causas. Por exemplo:

 

  1. Por que as notas dos/as estudantes estão tão baixas?
  2. Por que os/as estudantes não estão atento às aulas?
  3. Por que o/a docente faz o que faz?
  4. Por que o/a docente não faz diferente?
  5. Por que a equipe gestora não intervém?

 

Após a identificação das causas ou da causa, pode-se valer da identificação de impulsionadores de mudança, ou seja, forças que motivem as pessoas, envolvidas no problema de prática (no nosso caso, o/a professor/a de geografia), a mudarem.

 

O que é um impulsionador de mudança?

Um impulsionador da mudança é uma força psicossocial que aponta para uma mudança planejada no comportamento do indivíduo. Um impulsionador de mudança busca fazer com que o indivíduo mude seu comportamento problemático para um comportamento desejado.  Os impulsionadores da mudança podem ser estimulados por meio de recursos ou atividades que atraiam forças internas do indivíduo.  Por exemplo, apelar para valores, comprometimento, aquisição de novas habilidades, etc.  Os impulsionadores também podem ser invocados através de mecanismos externos ao indivíduo. Por exemplo, recompensas, sanções, reconhecimento público ou pressão social para citar alguns. (adaptado de Mintrop, R., Órdenes, M., & Madero, C. (2018)

 

Vejamos alguns exemplos de impulsionadores de mudança, que tanto podem se referir ao indivíduo ou ao ambiente:

 

Indivíduo Ações
Conhecimento, habilidades e competências Querer, desejar saber mais para mudar.
Motivação e comprometimento Quer resultados diferentes.
Valores e aspirações Quer ser reconhecido como um/a excelente professor/a.

 

Ambiente do indivíduo Ações
Regras e sanções Receberá uma punição caso as metas (ou regras) não sejam cumpridas ou um bônus caso elas sejam superadas.
Incentivo e metas Receberá um bônus caso as metas sejam alcançadas ou superadas.
Recursos materiais Recursos materiais diferenciados e qualidade poderão contribuir para ações diferenciadas.
Pressão social Apresentar dados de avaliação de outros componentes curriculares e compará-los.

 

Bom, então, para saber qual ou quais impulsionadores pode-se utilizar, temos que, além de conhecer o/a profissional que está implicado no problema, definir qual será a prática desejada, que, no caso do nosso exemplo, poderia ser:

Melhorar o engajamento dos/as estudantes nas aulas de geografia (realização das atividades em sala de aula) e/ou que os resultados de avaliação dos/as estudantes fossem iguais ou superiores a 7,0.

Nessa situação, alguns impulsionadores/as poderiam ser utilizados. Por exemplo, recursos materiais, incentivos, conhecimento, aspirações.

Definido os impulsionadores, pode-se pensar em ações concretas para que a mudança ocorra:

  1. Oferecer ao/à docente, recursos materiais para diversificar as estratégias em sala de aula.
  2. Fazer formações sobre estratégias de engajamento dos/as estudantes em sala de aula.
  3. Observar aulas e oferecer feedback formativo sobre os avanços do/a docente após as mudanças realizadas, ressaltando os pontos positivos, indicando o quanto suas aulas foram impactadas pela mudança, a relação entre docente e estudantes foi modificada, entre outros, além de dar sugestões para continuidade nas mudanças.
  4. Apresentar os dados de avaliação antes das mudanças e após as mudanças etc.
  5. Divulgar os resultados para a comunidade.

 

Após as definições do problema de prática, das causas do problema, da identificação da prática desejada, dos impulsionadores, chegou o momento de elaborar um plano de melhoria. Sim, precisamos ser estratégicos e só pensar em ações podem fazer com que todo o trabalho se perca.

 

É preciso elaborar um plano!!!

 

Defina as ações, quem as fará, em qual prazo e como você acompanhará seu desenvolvimento. Pense em um instrumento de avaliação para realizar esse acompanhamento. Por exemplo, um registro de observações, com os avanços do/a docente, uma planilha de monitoramento com os resultados das avaliações dos/as estudantes.

 

Faça um esforço e vamos identificar os problemas de prática que impactam a aprendizagem dos/as estudantes e elaborar um plano para solucioná-lo!

 

 

Referências:

City, E., Elmore, R., Fiarman, S., Teitel, L. Rodadas pedagógicas: como o trabalho em redes pode melhorar o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2014.

Mintrop, R., Órdenes, M., & Madero, C. (2018). Resolución de problemas para la mejora escolar: el enfoque del design development. Cómo cultivar el liderazgo educativo. Trece miradas. Santiago de Chile: Ediciones Universidad Diego Portales.

 

 

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Comentários sobre o texto

  1. Valéria Gonçalves Zuza disse:

    Sugestões excelentes.Temos que oferecer, ajudar os professores para que eles vejam a necessidade de estarem sempre se aperfeiçoando, melhorando sua prática.

  2. Maria Efigênia Drumond disse:

    Ideias, práticas precisas e objetivas.Gostaria de receber materiais(textos, infógrafos) que possam estar agregando a minha prática como supervisora .

    1. Elos disse:

      Perfeito Maria, obrigada! Abraços!

  3. Maria Lúcia de Souza disse:

    Muito interessante este texto. Percebo que o problema de prática que descrevi é um dos que temos. Vou desenvolvê-los em encontros.

    1. Elos disse:

      Obrigada pela visita e leitura. Abraços!

  4. Maria Lúcia de Souza disse:

    Muito interessante este texto.

    1. Elos disse:

      Obrigada. Abraços!

  5. Marlene de Fátima Morau Coelho Barbosa. disse:

    Texto excelente! Objetivo e esclarecedor.

    1. Elos disse:

      Muito Obrigada!

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