Gestão escolar e a avaliação da aprendizagem

por Maria Luiza Ramos

01/08/2022

Duas perguntas que precisamos fazer como educadores/as: qual o propósito da avaliação da aprendizagem dos/as estudantes? Quais reflexões podem ser feitas sobre o desempenho do/a professor/a e gestores/as escolares a partir dos resultados das avaliações?  

 

Para responder a esta pergunta, resgatamos trabalhos da Professora Clarilza Prado de Souza e Romilda Teodora Ens, especialistas em avaliação da aprendizagem.

Avaliação do aluno em sala de aula tem como propósito promover o
aperfeiçoamento do ensino que vem sendo oferecido. Avaliamos para identificar necessidades e prioridades, situar o próprio professor e aluno no percurso escolar. Nesse sentido, a primeira questão que orienta um planejamento avaliativo é a definição de para que se está realizando uma avaliação. Que decisões precisamos tomar? Que subsídios esperamos obter do processo avaliativo?
” (SOUSA e ENS, p. 385)

Para início de conversa, é preciso assinalar que a avaliação da aprendizagem realizada no contexto da escola e da sala de aula não tem finalidade classificatória. Ela tem caráter diagnóstico e formativo, deve ocorrer de maneira contínua e permitir análises qualitativas do progresso dos/as estudantes. Nesse sentido, a avaliação da aprendizagem é fonte de dados concretos sobre o que cada estudante está aprendendo e sobre a eficácia do ensino oferecido pela escola.

Essa ideia nos faz pensar acerca dos papeis dos principais agentes do processo de ensino que devem garantir as condições para o aprendizado dos/as estudantes: professores/as e gestores/as escolares, isto é, diretores/as de escola e coordenadores/as pedagógicos/as. O que cabe a cada um/a em relação às avaliações aplicadas na escola?

 

Aos/às professores/as cabe propor avaliações que permitam aferir se os/as estudantes aprenderam o que era esperado em determinado período letivo e em cada aula. Portanto, há que se ter clareza dos objetivos de aprendizagem e dos instrumentos mais adequados para medir se esses objetivos foram alcançados, bem como quais atividades pedagógicas realmente conduzem à aprendizagem.

Aos/às gestores/as escolares cabe a garantia das condições para que os/as professores/as desenvolvam o processo de ensino de melhor qualidade. Tais condições incluem formação continuada do/a professor/a, organização curricular, materiais pedagógicos necessários para as aulas, infraestrutura física etc.

Vale destacar que, para que a avaliação do desempenho dos/as estudantes cumpra sua função, há que se sistematizar os resultados em planilhas e gráficos ou outras ferramentas que permitam a análise do que ocorreu com cada um/a, cada turma e com o conjunto de turmas da escola.

Tendo em vista que os resultados das avaliações dos/as estudantes devem ser vistos como indicadores para o aperfeiçoamento do ensino e da aprendizagem, nossa proposta é que os/as responsáveis por esse trabalho façam uma reflexão a respeito do que lhes cabe realizar nesse processo, para que possam encaminhar soluções adequadas.

Sousa (1999) sugere uma série de perguntas para reflexão do/a docente a respeito do seu próprio desempenho, a partir dos resultados das avaliações de aprendizagem. Tais perguntas constam do quadro a seguir, com adaptações e inserção de outras questões. Em paralelo à reflexão do/a professor/a, organizamos uma série de indagações que podem orientar a reflexão dos/as gestores/as acerca do seu papel no acompanhamento do processo pedagógico da escola:

 

 

Professor/a

Gestores/as escolares:

Diretores/as de Escola e Coordenadores/as Pedagógicos/as

O que os resultados desta avaliação me mostram em relação a cada estudante? Indago constantemente se meu/minha estudante está aprendendo? O que ele/ela está aprendendo? Acompanho o desempenho deles/as? Como faço esse acompanhamento? O que os resultados da avaliação me mostram em relação a cada classe e a cada professor/a? Indago constantemente se o/a professor/a está desenvolvendo um bom trabalho pedagógico? Acompanho o trabalho do/a professor/a? Como faço esse acompanhamento?
Quais dificuldades o/a estudante está apresentando? Quais dificuldades o/a professor/a está apresentando em suas aulas?
Quais as hipóteses que levanto sobre a maneira como se realiza a aprendizagem dos/as estudantes? Como meus/minhas estudantes aprendem? Quais as hipóteses que levanto sobre a maneira que o/a professor/a aprende? Na relação com o/a professor/a levo em consideração os conceitos de aprendizagem dos adultos?
A avaliação está conectada às aprendizagens das habilidades e competências, consideradas em meu plano de ensino e de aula? A avaliação aplicada atende aos objetivos dos planos de ensino da turma e do período letivo?
Quais estratégias de ensino têm dado melhor resultado para garantir determinadas aprendizagens? Desenvolvo um trabalho de formação do/a professor/a para que ele/ela tenha desenvoltura ao desenvolver estratégias de ensino adequadas às aprendizagens pretendidas?
Tenho usado em minhas aulas os recursos materiais disponíveis na escola? Há outros recursos que necessito para melhorar minhas aulas? Como o/a professor/a usa os recursos materiais disponíveis na escola? Estes materiais estão disponibilizados de maneira adequada e acessível a todos? Há necessidade de obtenção de mais materiais pedagógicos?
Como tenho proporcionado atividades de reforço e de recuperação para os/as estudantes com dificuldades de aprendizagem? Como o/a professor/a tem proporcionado atividades de reforço e recuperação dos/as estudantes com dificuldade de aprendizagem? A escola tem garantido espaços para aulas de recuperação desses/as estudantes além das aulas regulares?
Tenho usado bem a sala de aula? Tenho usado outros espaços da escola ou da comunidade para desenvolvimento de minhas aulas? Tenho cuidado para que todos os espaços da escola sejam ambientes de aprendizagem? Tenho propiciado condições para que o/a professor/a use espaços da comunidade para favorecer a aprendizagem dos/as estudantes?
O que faço com os resultados obtidos nas avaliações? Que decisões devo tomar a partir dos resultados de minha turma? Que decisões devo tomar a partir dos resultados de cada turma?
Será que realmente tenho domínio do conteúdo que preciso ensinar? No que realmente preciso me aperfeiçoar para melhorar meu desempenho? Será que o/a professor/a tem domínio do conteúdo que deve ser ensinado? O que posso fazer para contribuir com seu aperfeiçoamento profissional?
Como vou discutir os resultados da avaliação com os/as estudantes? Como vou discutir os resultados da avaliação com o/a professor/a?
Qual a visão de avaliação que os/as estudantes têm? É uma visão positiva? Qual a visão de avaliação que o/a professor/a tem? Há necessidade de mudar algo nessa visão?
Propicio oportunidade para que os/as estudantes se autoavaliem? Propicio condições para que o/a professor/a se autoavalie?
Atribuo culpa às famílias pelos resultados de meus/minhas estudantes em sala de aula? Peço a colaboração dos familiares para que me ajudem na tarefa de educar meus/minhas estudantes? Já procurei pesquisar os motivos de não receber a colaboração que solicito? O/A professor/a e equipe gestora atribuem culpa aos familiares pelos resultados dos/as alunos/as na escola? A equipe escolar pede a colaboração dos familiares na tarefa de educar os/as estudantes da escola? Já foi realizada alguma pesquisa sobre os motivos de não receber a colaboração solicitada?
Considero que minha atuação em sala de aula faz diferença? Por que me considero um bom/boa professor/a? Estou disposto/a a mudar minha prática com vistas a proporcionar o melhor desempenho de meus/minhas estudantes? Entendo que esta mudança depende também de
minha disposição pessoal?
Considero que minha atuação como gestor/a faz diferença? Por que me considero um bom/boa gestor/a? Estou disposto/a a mudar minha prática com vistas a proporcionar o melhor desempenho dos/as estudantes? Entendo que esta mudança depende também de minha disposição pessoal?

 

Esse rol de perguntas pode ser útil para que professores/as e gestores/as reflitam sobre o quanto e como estão cuidando do que é necessário para garantir os direitos de aprendizagem dos/as estudantes.

Com isso, podemos perceber que a avaliação não é uma ação que se refere apenas aos/às estudantes, mas a todos/as os/as envolvidos/as no processo de ensino e de aprendizagem. Todos/as precisam pensar de que maneira são responsáveis pelos resultados e como podem mudar suas ações para melhorá-los.

Refletir sobre suas responsabilidades no processo educativo deve ser uma constante na atuação da equipe escolar para a construção de uma escola de alta qualidade.

 

 

Referências bibliográficas:

SOUSA, Clarilza Prado de. Avaliação da aprendizagem formadora / Avaliação formadora da aprendizagem. In BICUDO, Maria Aparecida Viggiani e SILVA JUNIOR, Celestino Alves da (org.) Formação do Educador: avaliação institucional, ensino e aprendizagem, v. 4. São Paulo: Editora UNESP, 1999 – (Seminários e Debates).

SOUSA, Clarilza Prado de e ENS, Romilda Teodora. Avaliação Formadora. Coleção Agrinho. Disponível em: file:///D:/Downloads/silo.tips_avaliaao-formadora-clarilza-prado-de-sousa-romilda-teodora-ens.pdf  – Publicado em 31/03/2020. Acesso em 24/06/2022

 

 

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Comentários sobre o texto

  1. Lidiane Rosário de Oliveira Araújo disse:

    Sem dúvida nenhuma, esse texto é de suma importância para nós profissionais da Educação, pois nos orienta de forma clara e objetiva a importância da avaliação no processo de ensino-aprendizagem de nossos alunos, e mais, as perguntas elaboradas nos ajuda a refletir sobre a forma que estou avaliando os alunos, estão dando resultados ou não.

  2. Maria Francisca Rodrigues Campos disse:

    A importância da avaliação para acompanhar o desempenho do aluno diante do contexto dos objetivos de aprendizagem.

  3. Claudia Darc disse:

    Todos precisam estar envolvidos no processo educacional, que tem como ápice, a avaliação. Esta não pode ser vista como punição, e sim como um “termômetro” que direciona qual caminho seguir após a sua aplicação. Todos possuem capacidade de aprender e, como seres únicos, aprendemos cada um de uma forma diferente.

  4. Leliane Castro de Oliveira disse:

    A avaliação é muito importante para o acompanhamento do aprendizado de cada aluno, no decorrer da aprendizagem sendo que cada aluno realmente aprende de uma forma diferente.

  5. Leliane Castro de Oliveira disse:

    A avaliação é muito importante para o acompanhamento do aprendizado de cada aluno, no decorrer da aprendizagem sendo que cada aluno realmente aprende de uma forma diferente, através do resultado da avaliação será de forma somatória pra se trabalhar na dificuldade dos alunos

  6. Maria Marleide Monteiro de Castro disse:

    Será para avaliar o desempenho, se houve assimilação satisfatória. Caso contrário, deve ser revista em um processo contínuo.

  7. Rosineire da Silva lagos disse:

    Esse texto é importante para nossos conhecimento como técnicos em aprendizagem, pois nós faz compriender e fazer uma reflexão de que formas estámos desenvolvimento o nosso trabalho?. Como estamos preparando a aprendizagem das futuras gerações? Dessa forma o texto nós orienta quais caminhos ser trabalhado.

  8. Lauro Castro Nascimento disse:

    Quanto a narração do texto e a opinião da autora em relação ao que está sendo enfatizado no ato de avaliação de uma aprendizagem de acessibilidade ao aluno e a maneira trabalhada pela gestão educacional. Vale ressaltar que tudo depende da maneira que o professor ocupa este espaço com o aluno no seu cotidiano.

  9. Elizelde Oliveira Dos Santos disse:

    Vem completa as nossas habilidades a serem desenvolvidas, pois precisamos melhorar as nossa práticas dentro da atua problemática

  10. Valéria Nunes Constantino disse:

    O texto traz esclarecimentos sobre a função da avaliação e a definição dos papeis de todos os envolvidos neste processo. Inclusive elucidando as características diagnósticas e formativas da avaliação. São assuntos relevantes e determinantes à realização de um processo de avaliação organizado e justo.

  11. maria leisandra souza dos santos disse:

    Aprendi ainda na faculdade que devemos avaliar para verificar a aprendizagem dos alunos, observar oque eles aprenderam e o que não aprenderam para que assim possamos intervir de forma a melhorar e facilitar o desempenho da aprendizagem.

  12. MARIA CELINA SILVA FREIRE GENTIL disse:

    O texto de Maria Luiza Prado é rico e esclarecedor ao apresentar ao professor e ao gestor escolar algumas possibilidades de analisar os avanços e obstáculos apresentados na avaliação dos alunos.
    Mediante um olhar autorreflexivo entende-se que é necessário viabilizar estratégias que favoreçam o avanço no ensino aprendizagem dos educandos.

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